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14 de Outubro de 2019
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    Demitir na crise pode aumentar gastos de pequenas empresas.

    Em tempos de crise, uma das notícias mais divulgadas pela imprensa diz respeito às demissões em massa. Muitos empresários vêem nessa medida uma saída para ajustar as contas de seu negócio e reduzir custos na tentativa de minimizar os efeitos da crise. No entanto, especialistas do Sebrae afirmam ser esse um erro clássico, apesar de ser a primeira opção para muitos empresários.

    O gerente da Unidade de Atendimento Individual do Sebrae Nacional, Enio Duarte Pinto, afirma que o empresário deve colocar na ponta do lápis os custos com a rescisão contratual de um empregado, já que os encargos são altos e acabam sendo um gasto a mais num momento crítico como esse. Além disso, como as micro e pequenas empresas são muito voláteis, a necessidade de contratar pessoal virá em um curto espaço de tempo.

    “Com isso, além de ter gasto com a rescisão contratual, o empresário terá de gastar na hora de contratar, com o processo seletivo, com o contrato, com treinamento. É um pensamento contraprodutivo demitir hoje para contratar pouco tempo depois”, avalia.

    Em vez de demitir, a pequena empresa tem outras opções de ajustar seus custos como promover férias em rodízio, o que é muito propício nesse primeiro trimestre, ter mais rigor nos controles de custos fixos, como estoque e contas a pagar e a receber, fazer um controle de caixa mais seguro e procurar renegociar prazos de pagamentos em contratos já firmados. “Ninguém quer perder cliente nesse momento de crise. Os fornecedores de pequenas empresas também não. Esse é o momento para dilatar prazos de pagamento”, exemplifica Enio Pinto.

    É hora também de o empresário repensar e reorganizar suas formas de aprovação de crédito junto ao cliente. O gerente do Sebrae explica que vendas a prazo, que antes eram mais facilitadas, hoje devem ter um maior rigor, até mesmo para não cair numa inadimplência alta. Buscar alternativas de obtenção de crédito com juros mais atrativos é também outra dica em momentos de incerteza. Além disso, o gerente do Sebrae aconselha aos empresários a socializar a compra de seus insumos. Ou seja, procurar seu concorrente para fazer compras conjuntas ajuda a reduzir os valores dos insumos e barganhar o preço e o prazo de pagamento com os fornecedores. "Unir esforços é uma saída importante nesse momento", avalia.

    Investir em liquidações dos produtos para gerar uma rotatividade de mercadorias paradas no estoque é uma opção para quem tem contas a pagar e não pode perder tempo e dinheiro.

    A gerente comercial da indústria paulista de tijolos ecológicos Tijol-Eco, Juliana Magalhães, informa que a empresa não sentiu até agora os efeitos da crise. Pelo contrário, com o setor da construção civil em alta, a indústria teve que contratar mais funcionários para operar as máquinas que produzem os tijolos de maneira ecologicamente correta.

    Uma das alternativas estudadas pela indústria é a mudança de horário dos funcionários para que atuem das 6h às 18h, em vez de trabalharem em três turnos. Isso porque, depois das 19h, a empresa de energia do estado cobra da indústria uma taxa extra por ela estar funcionando. “Isso vai nos dar uma economia interessante”, diz Juliana. Além disso, a gerente comercial conta que foi contratado um profissional para fazer a manutenção das máquinas, reduzindo assim os gastos com conserto de equipamentos.

    Juliana Magalhães explica que o processo de produção dos tijolos utiliza terra e cimento e um sistema hidráulico de secagem, o que torna o custo final da obra 40% menor em comparação com o uso de outro tipo de tijolo.

    Esse tipo de alternativa é bastante recomendada pelos especialistas em gestão de crise. O economista e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Francisco Barone diz que a pequena empresa também sente os efeitos de uma crise na medida em que negocia com fornecedores, toma crédito e precisa ajustar seus custos.

    No entanto, Barone afirma que há um ponto positivo para os pequenos empresários: o de ter maior proximidade com os funcionários e poder negociar com eles, de maneira mais fácil, as questões trabalhistas, diferentemente do que ocorre com as grandes empresas. “Flexibilizar a jornada de trabalho é sim uma opção interessante que não onera o empregador, não dispensa o empregado e ainda há certa economia de gastos fixos na empresa, como água, luz e telefone”, defende o economista.

    Barone aconselha aos donos de pequenos negócios procurar nichos de mercado diferentes para atender a vários públicos. Outro conselho é não usar o crédito pessoal para pagar dívidas da empresa. “Esses empréstimos têm juros muito mais altos. O mais interessante é procurar linhas de crédito voltadas para pequenas e microempresas, principalmente de bancos públicos, que já estão orientados para praticar juros menores”, afirmou.

    Por fim, o economista acredita que a crise pode representar uma oportunidade de investimento para quem deseja abrir um negócio. A dica, segundo ele, é não perder a oportunidade. “Com um plano de negócios bem estruturado e um estudo de mercado em mãos, o empresário pode sim investir e ter bons resultados, mesmo em época de crise”, afirmou. “Além disso, a busca por consultorias e orientação para pensar o empreendimento a longo prazo também são boas alternativas para se planejar e até mesmo se preparar para momentos econômicos mais complicados como esse”, conclui.

    Fonte: Agência Sebrae

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